sábado, 14 de maio de 2022

Paciência e resiliência

 

Pensando nos planos que fazemos e que podem ser inexoravelmente mudados contra a nossa vontade, voltei-me a pensar nos últimos meses e no quanto os nossos desejos podem estar longe do nosso controle.

Essa falta de controle de tudo pode nos ser apresentada por fatos inesperados e por situações que ultrapassam os limites da compreensão, mas que escancaram a nossa fragilidade sob vários aspectos.

Nos últimos 2 meses venho experimentando várias emoções e sensações que de outra forma não seriam possíveis. Um joelho adoecido por um movimento simples me colocou em uma situação de extrema fragilidade e me fez perceber o quanto dependemos das pessoas à nossa volta e o quanto o nosso desejo de sermos independentes deve ser repensado dia após dia.

A necessidade de que estivessem perto de mim a todo momento, principalmente no primeiro mês após o movimento que me colocou imobilizada, me mostrou e me fez refletir em uma série de situações em que nos pegamos falando para pessoas nessa situação: "reaja", "vc é forte", "levante", "faça o que vc pode", e tantas outras frases que tem o objetivo de ajudar, mas são uma forma de pressionar e fazer com que o indivíduo fragilizado encontre sua força para melhorar e pare de nos dar tanto trabalho, mas que colocam a pessoa dependente em uma situação pior ainda, pois escancara a sua impossibilidade de melhorar naquele momento e transparece, muitas vezes, a falta de empatia do cuidador. 

A sensação de incapacidade e de dependência nos coloca também como pedras nos sapatos das pessoas que mais amamos, pois inevitavelmente prendemos a elas uma corrente que as obriga a estar conosco durante essa fase difícil. As afastamos do que gostam de fazer, do trabalho e as sobrecarregamos com trabalhos e atividades que antes eram nossas. E não há o que fazer, a dor e a incapacidade do momento nos coloca nesse lugar, somos agora dependentes da ajuda, da boa vontade e da paciência daqueles que estão ao nosso lado.

Acho que o termo paciente deveria ser também destinado a quem ajuda e cuida, pois é necessário a paciência a quem doa e a quem recebe cuidados. Há momentos de extrema tensão, de irritação e de cansaço que devem ser entendidos pelas duas partes.

Todo esse tempo afastada do trabalho, das atividades domesticas e de lazer me fizeram entender a importância de valorizar cada movimento que fazemos no dia-a-dia, o simples ato de poder levantar e ir sozinho ao banheiro, poder tomar banho sem dores e sem plateia, almoçar normalmente com todos juntos à mesa, poder dormir sem tantos travesseiros (é horrível) e tantas outras pequenas coisas que só nos damos conta quando não podemos fazer. Valorize!

A necessidade de cuidados também reflete a nossa expectativa quanto à atenção das pessoas e quais delas fariam para vc o que vc fez quando necessitaram. Nesse aspecto é preciso ser forte, esperar que na sua necessidade outros movam o mundo como vc moveria, é no mínimo criar expectativas que certamente serão frustradas. Não por culpa dessas pessoas, afinal vc as ajudou por que quis e porque o coração pediu e a espera da reciprocidade veio de vc, portanto a expectativa de ajuda foi criada por vc. Nem todos farão aquilo que esperávamos que fizessem, nem todos deixarão os seus afazeres para ligar para vc e perguntar se vc está bem ou, se hoje, a dor está menos intensa. Aprendi nesses dois meses, à duras penas, que esperar dos outros a reciprocidade por movimentos de socorro, em gratidão por sua ajuda do passado é inútil e decepcionante. Dói, machuca muito, mas é a realidade, poucos se movimentarão ou sairão de sua rota para ajudar vc. 

Poderia dizer, "e está tudo bem", (isso virou moda atualmente) mas não, não está tudo bem não. A ajuda pode ser sutil, um telefonema, uma oração, um boa noite, uma palavra de amor e carinho muitas vezes ajudam muito mais do que estar 24 horas próximo e não esboçar qualquer ação de empatia.

Sendo assim, não poder estar próximo não deve ser desculpa para não ajudar, não acarinhar e não dar o apoio emocional necessário. Por isso, nunca diga que está tudo bem qdo pessoas muito próximas sumirem e não derem a vc o apoio necessário, principalmente quando vc foi em outras situações o sustentáculo e a base que manteve essa pessoa em pé. A recusa para não ir a sua ajuda não é falta de tempo, é ingratidão. 

O joelho me mostrou o quanto somos suscetíveis , frágeis e quanto o tempo age e se movimenta independente de nossa vontade. Quero andar, mas no tempo da cura. Quero voltar às atividades, mas no tempo da melhora. Quero voltar para o trabalho, mas será no tempo definido para poder me sustentar em pé. No final da somatória dos eventos o que reflito é sou submissa aos eventos e na impossibilidade de tomar uma pílula mágica que irá me tirar desse momento de reclusão. Não há pílula, tem que haver vontade, paciência e resiliência.

Poucos ouvem suas reclamações ou o que vc fala durante esse momento de fragilidade, se o movimento do joelho dói e relatamos a dor o que ouvimos: "é assim mesmo", "humm", "tem que doer para melhorar", mas os ouvintes se esquecem que quem sente a dor é quem relata e o ouvido ativo a essa reclamação ou relato faz parte de um tratamento humanizado e empático e, sinceramente, pouco vi durante todos esses dias de tratamento.

Poxa, quantos aprendizados...

Enfim, vamos caminhando (figura de linguagem), ou melhor, vamos no andador, melhorando a cada dia e resignificando várias coisas que se não estivermos na posição correta sequer perceberia. Logo estarei de volta, mais forte (eu acho), mais atenta (espero) mas, muito mais, grata por tudo o que se passa no meu dia e na importância de estarmos prontos e atentos para tudo o que possa vir no futuro.

domingo, 15 de outubro de 2017

EMOÇÕES: Origem do Dia do Professor

EMOÇÕES: Origem do Dia do Professor

Origem do Dia do Professor



O Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro. Mas poucos sabem como e quando surgiu este costume no Brasil. No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”.

Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A idéia inovadora e revolucionária, teria sido ótima – caso tivesse sido cumprida. Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia dedicado ao Professor.
Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”. O longo período letivo do segundo semestre ia de 01 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.
O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. Com os professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada, para depois crescer e implantar-se por todo o Brasil.
A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: “Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.
Fonte:
Revista Pazes

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Abominável mundo novo!



Nos últimos dias temos visto uma sucessão de comentários sobre a doença e a morte da ex primeira dama do país e com extrema surpresa notamos a intensidade quase impulsiva de ódio e intolerância nessas vozes.
Esse não foi um fato isolado, vimos comentários mórbidos nas mortes de outros políticos como naquela do filho do governador de São Paulo e na doença de alguns acusados na Lava-Jato, além de comentários bizarros de racismo e intolerância contra pessoas públicas.
A minha reflexão a respeito desse assunto ultrapassa o limite da crise política e financeira pela qual passamos, ela envolve o entendimento dos profundos e preocupantes sinais de que estamos fazendo algo de muito errado nesse pais.
Todos os comentários que vemos nas redes sociais e nas bocas das pessoas, inclusive de profissionais que deveriam primar pela ética e privacidade de seus pacientes, vem de pessoas em sua grande maioria na faixa etária de  18-30 anos.
Por que digo isso? Imaginando que todos nós somos moldados de acordo com a educação e cultura com as quais convivemos, devo considerar que não temos oferecido um ambiente saudável para nossas crianças e jovens nos últimos anos.
É fácil refletir sobre isso. Nas ultimas décadas deixamos de lado muitas atitudes que foram consideradas retrógradas, antigas e ultrapassadas para agir de forma “livre” e “sem rédeas”. Disseram para nós que devemos falar tudo o que passa em nossas cabeças, tudo o que sentimos e quem ouvir que se “lasque”  afinal eu digo o que penso, sou sincero. Só tem um porém; digo o que penso, mas não me responsabilizo pelo dito e isso passa por outras situações também: transo sem preservativo, mas não me responsabilizo pela gravidez, não vou a aula e não me responsabilizo pela minha reprovação, bebo e não me responsabilizo pelo acidente que provoquei, o político rouba o país e não se dá conta do número de pessoas foram prejudicadas e até mesmo quantas morreram física e moralmente por falta de investimento público.
São imensos os exemplo que irresponsabilidades avalizadas pela educação das ultimas décadas. Vimos crianças desrespeitarem os  seus pais, seus professores, idosos, pessoas nas ruas e o que fizemos? Fomos desorientados a “entender”, a “compreender” e a “permitir” tudo isso, mas devemos lembrar que quem impôs essa metodologia educativa foi educado da forma tradicional, com castigos, com grandes broncas, com alguns sopapos merecidos. Essa geração criada nos moldes do “tudo pode” foi cobaia da psicopedagogia  exagerada e mal orientada da permissividade.
Aluno não quer ir a aula, tudo bem! Ele deve aprender no seu ritmo.
Filho não quer arrumar o quarto, não quer ajudar nas obrigações de casa, tudo bem! Ele sempre deve ter uma vida melhor do a que os pais tiveram, mesmo que isso crie indivíduos extremamente folgados.
Filhos e alunos respondem, xingam, agridem e ultimamente matam pais e professores, mas tudo bem! Ele tem que colocar para fora tudo o que o perturba mesmo que isso agrida, ofenda, maltrate e humilhe outra pessoa.
Tudo o que lemos nas redes sociais é reflexo desse triste quadro, ao optarmos por um estilo de educação que privilegia o indivíduo e não o grupo, a falta de educação e a falta de filtro como cura para qualquer incomodo, a ignorância de colocar para fora qualquer pensamento sem sequer levar em conta o sentimento dos outros, nós criamos verdadeiros monstros.
Os monstros agora se voltam contra os seus criadores, pais que não educaram, professores que não ensinaram, políticos corruptos que roubaram e não aplicaram recursos para fortalecer a base de uma cultura sólida de educação, cidadania e respeito ao  outro e ao bem público.
E agora?? Agora é cuidar da nova geração, reagir contra atitudes abomináveis e tentar com isso controlar o monstro que criamos, mas e se não der certo?
Se não der certo, queridos, é salve-se quem puder!

sábado, 12 de dezembro de 2015

Desculpe, eu espero sempre o melhor!!


Pensando outro dia na seguinte situação, não esperar demais dos outros para não me decepcionar.

Hummmm...não sei se isso é certo, pois de tudo aquilo o que exigimos pouco iremos receber pouco também, não é mesmo?

Essa auto proteção só faz com que as pessoas parem de se preocupar com o outro. 

Fica mais ou menos assim: não crie expectativas em mim para não se decepcionar. 

Estranho como as pessoas se auto justificam antes de qquer coisa acontecer,parece que já sabem que vão pisar na bola. 
Justificam os seus atos antes mesmo de magoar as pessoas, não seria mais correto tentar ao máximo ser e fazer o possível para não magoar e entristecer ninguém?

O fato de não criar expectativas protege sim a sua emoção e seus sentimentos, mas ao mesmo tempo cria pessoas que sabendo que vc não espera nada delas se sentem confortáveis e não dão nada, não fazem qquer tipo de esforço para agradar ou serem sensíveis e corretas. 

Se auto justificam com a teoria de que se vc se decepcionou problema seu, eu avisei para não criar expectativas.
 
Não...já pensei assim, agora meu nível de exigência aumentou.
Crio sim, a expectativa de que a pessoa que se diz amiga será amiga em qquer momento.
Crio a expectativa de que uma promessa feita será cumprida e se não for possível pelo menos terá uma justificativa.
Crio a expectativa de que as pessoas com as quais me relaciono serão no mínimo aquilo que mostram ser.
Crio expectativa sim e não vou mais justificar a atitude mentirosa, falsa, arrogante, agressiva, ou qquer outra colocando a culpa em mim por ter esperado demais das pessoas. Aaaah isso não!

Eu espero sempre o melhor, levo em consideração o fato de que todos foram criados a imagem de Deus e são honestos, sinceros, verdadeiros, amorosos, humanos, transparentes, leais...se o outro não me dá o seu melhor a culpa não será minha... Eu espero SEMPRE o melhor!! 
Emoticon heart

sábado, 24 de outubro de 2015

50 primaveras


E aí quando você menos percebe, o tempo passou!
Fazer meio século é um tanto quanto estranho, ao olharmos para frente percebemos que temos pouco tempo e essa percepção vem do fato de já termos vivido 50 e que esses anos passaram em um piscar de olhos e por outro lado, ao olharmos para trás, vem uma imensa satisfação por tudo o que fizemos. Quantas lembranças, conquistas, surpresas boas e não tão boas assim.
Quantas pessoas frequentaram o nosso olhar  e moraram em nosso coração, quantas já não estão mais no nosso foco, mas ainda tem lugar cativo dentro da nossa alma e quantas simplesmente passaram.
Fazer 50 anos é reconhecer que quem manda aqui é o tempo. 
O inexorável e irrevogável Senhor do Tempo. Os cabelos brancos chegam, os livros ficam aos pouco desfocados e os óculos chegam, a vontade de fazer, correr e ultrapassar os limites é forte, mas não tanto quanto as dores depois de tudo isso!kk
Fazer 50 anos é ter consciência de que aprender é abrir uma janela para o mundo, que esquecer é fechar um portão grande e pesado, que rezar é necessário e que fazer aniversário é acender uma vela para um novo ano.
Fazer 50 anos dá uma pressa imensa de viver, pois percebemos que temos menos tempo do que tínhamos até ontem.
O tempo apaga algumas lembranças da nossa infância, mas nunca apaga a imagem daqueles que nos encorajaram, que nos levaram a ser o que somos hoje. Nossos pais, amigos, professores, amores,  filhos...ahh quanta gratidão por eles!
Às vezes durante o percurso da vida, tropeçamos, nos  magoamos e magoamos pessoas, mas não podemos deixar que nada disso nos transforme em uma pessoa amarga e sem sorrisos. 
Olhar para trás só serve pra contabilizar os resultados e seguir em frente.
Fazer 50 anos é uma dádiva, é um troféu para quem conseguiu passar a faixa da primeira grande etapa. 
Fazer 50 anos é colecionar primaveras para o inverno que aos poucos está chegando e não mais se preocupar com a pergunta: o que vc vai ser quando crescer?
Enfim, ao ultrapassar o Cabo da Boa Esperança (eu levo essa frase na minha mente) tenho muita esperança que os anos que estão por vir sejam imensamente felizes, pois a gente  descobre com o tempo que aqueles a quem amamos, mesmo fora do foco do nosso olhar, nunca deixam o nosso coração!! 
Que venham os próximos anos!! uhuhhhh :D




sábado, 18 de julho de 2015

Voe

Era uma vez um rei que recebeu dois falcões magníficos como  presente. Eles eram falcões peregrinos, os pássaros mais lindos que ele já tinha visto. 
Ele entregou suas aves preciosas ao seu falcoeiro principal para serem treinadas.
Meses se passaram, e um dia o falcoeiro principal informou ao rei que, embora um dos falcões estivesse voando majestosamente, voando alto no céu, o outro pássaro nem sequer havia saído do seu galho desde o dia em que ele tinha chegado.
O rei convocou os curandeiros e feiticeiros de toda a região para cuidar do falcão, mas ninguém conseguia fazer o pássaro voar.
Após tentar fazer tudo, o rei pensou para si mesmo:
"Talvez eu precise de alguém mais familiarizado com a vida no campo para compreender a natureza do problema." 
Então ele gritou para a sua corte, "Encontre um fazendeiro."
Pela manhã, o rei estava emocionado ao ver o falcão voando bem alto no céu acima dos jardins do palácio. Ele disse à sua corte, "Traga-me a pessoa que fez esse milagre." 
A corte rapidamente localizou o fazendeiro, que veio e pôs-se
diante do rei. 
O rei lhe perguntou: "Como você fez o falcão voar?"
Com a cabeça baixa, o fazendeiro disse ao rei: "Foi muito fácil , sua alteza. Eu simplesmente cortei o galho onde o pássaro estava sentado."
Somos todos feitos para voar – para realizar o nosso incrível potencial como seres humanos. Mas às vezes, nós ficamos sentados em nossos galhos com medo, nos apegando as coisas que nos são familiares.
Na verdade, o medo bloqueia o processo de manifestação.
Ele é uma visualização emocionalmente carregada e um sinal de não acreditar em seu eu superior. Às vezes, seus medos se disfarçam como razões lógicas que o seu subconsciente inventa.
Corte o seu "galho" e voe!